Mostrando postagens com marcador artigos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador artigos. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 13 de julho de 2009

O “fugu” evangélico

Porque temos ouvido tantos líderes cristãos citando pensadores divergentes e até ferrenhos opositores do cristianismo? Porque nossos jovens trocam tão facilmente o que aprenderam na Escola Dominical pelo conhecimento secular na universidade? Porque nas conversas do dia a dia os crentes citam o que aprenderam na televisão e raramente o que aprenderam na igreja? Nesta mensagem pregada em 12 de julho de 2009 na Igreja Vida Abundante em Deerfield Beach - Flórida, o miss. José Bernardo traz uma interessante visão sobre o tema, a partir da experiência de Paulo com a igreja de Corinto.

Leitura bíblica 1Co 2:1-16 “ Eu mesmo, irmãos, quando estive entre vocês, não fui com discurso eloqüente, nem com muita sabedoria para lhes proclamar o mistério de Deus. Pois decidi nada saber entre vocês, a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado. E foi com fraqueza, temor e com muito tremor que estive entre vocês. Minha mensagem e minha pregação não consistiram de palavras persuasivas de sabedoria, mas consistiram de demonstração do poder do Espírito, para que a fé que vocês têm não se baseasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus. Entretanto, falamos de sabedoria entre os que já têm maduridade, mas não da sabedoria desta era ou dos poderosos desta era, que estão sendo reduzidos a nada. Ao contrário, falamos da sabedoria de Deus, do mistério que estava oculto, o qual Deus preordenou, antes do princípio das eras, para a nossa glória. Nenhum dos poderosos desta era o entendeu, pois, se o tivessem entendido, não teriam crucificado o Senhor da glória. Todavia, como está escrito: Olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, mente nenhuma imaginou o que Deus preparou para aqueles que o amam; mas Deus o revelou a nós por meio do Espírito. O Espírito sonda todas as coisas, até mesmo as coisas mais profundas de Deus. Pois, quem conhece os pensamentos do homem, a não ser o espírito do homem que nele está? Da mesma forma, ninguém conhece os pensamentos de Deus, a não ser o Espírito de Deus. Nós, porém, não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito procedente de Deus, para que entendamos as coisas que Deus nos tem dado gratuitamente. Delas também falamos, não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito, interpretando verdades espirituais para os que são espirituais. Quem não tem o Espírito não aceita as coisas que vêm do Espírito de Deus, pois lhe são loucura; e não é capaz de entendê-las, porque elas são discernidas espiritualmente. Mas quem é espiritual discerne todas as coisas, e ele mesmo por ninguém é discernido; pois quem conheceu a mente do Senhor para que possa instruí-lo? Nós, porém, temos a mente de Cristo.”

Fugu é o prato japonês preparado com peixes que tem grandes quantidades do veneno tetrodotoxina em seu organismo - veneno que paraliza as vítimas e mata por asfixia enquanto a vítima permanece consciente. Pratos, caríssimos são preparados com esse peixe e degustados em ambientes sofisticados, levando as pesssoas a se aproximarem da morte por diversão, e muitos tem morrido. Porque as pessoas comem esse prato? Porque querem experimentar a morte?

Por outro lado, ultimamente, talvez mais do que no passado, os pregadores evangélicos tem demonstrado grande preferência por citar autores reconhecidos pelo mundo, mesmo que eles sejam divergentes ou até radicais oponentes às Escrituras e à fé. Tenho ouvido líderes evangélicos dependerem do confuso Freud para o aconselhamento, há outros citando Voltaire, crítico do cristianismo, Nietzsche, desviado e enlouquecido, Foucault, defensor de uma sexualidade fora dos padrões bíblicos. Porque os pregadores estão fazendo isso? Porque a sabedoria humana tem sido colocada, em muitas igrejas e para muitos crentes no mesmo nível ou até superior à sabedoria bíblica? Porque nossos jovens admitem o conhecimento secular como superior? Porque temas como casamento e educação de filhos absorvem tanta informação mundana sem filtro? Porque os crentes citam para os amigos os ditos populares, autores famosos e até artistas, mas raramente as escrituras?

Brincar com o conhecimento mundano, alimentar-se dele, é como comer o Fugu. Paulo tinha uma outra posição.

1. O que o texto diz
Corinto era uma cidade muito rica, grande e de diversificada variedade cultural, orgulhosa de suas escolas de filosofia. Paulo formara esta igreja alguns anos antes e agora, quando estava em Éfeso os crentes lhe escreveram com perguntas, muitas deles motivadas pelo livre pensamento que os fazia titubiar na fé e provocava muitas divergências.

1.1. O veneno da aparência - 1Co 2:1-3 “Eu mesmo, irmãos, quando estive entre vocês, não fui com discurso eloqüente, nem com muita sabedoria para lhes proclamar o mistério de Deus. Pois decidi nada saber entre vocês, a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado. E foi com fraqueza, temor e com muito tremor que estive entre vocês.”
- O desejo de querer parecer inteligente, capaz, moderno, liberal, integrado é que leva muitos crentes a se alimentarem de Fugu intelectual. Paulo decidiu não se deliciar na pregação de outro conhecimento que não fosse o Evangelho.

1.2. O veneno da razão - 1Co 2:4,5 “Minha mensagem e minha pregação não consistiram de palavras persuasivas de sabedoria, mas consistiram de demonstração do poder do Espírito, para que a fé que vocês têm não se baseasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus.”
- Uma humana necessidade de compreender as causas e as consequências de tudo faz com que se selecione preferencialmente o conhecimento mundano que pode ser mais lógico do que o conhecimento bíblico, que escapa ao domínio do homem. Paulo preferiu confiar no inexplicável poder divino contido no conhecimento das Escrituras.

1.3. O veneno da sensação - 1Co 2:6,7 “Entretanto, falamos de sabedoria entre os que já têm maduridade, mas não da sabedoria desta era ou dos poderosos desta era, que estão sendo reduzidos a nada. Ao contrário, falamos da sabedoria de Deus, do mistério que estava oculto, o qual Deus preordenou, antes do princípio das eras, para a nossa glória.”
- Parece inquestionável a autoridade dos homens famosos e bem sucedidos para trasmitir o conhecimento e muitos os seguem e se deixam liderar por eles. Se alguém ganhou dinheiro, desenvolveu negócios, superou tratamentos, esta pessoa é que será ouvida. Paulo conseguia perceber que tais pessoas estão, na verdade, se destruindo e acabando. Ele preferia a experiência da sabedoria de Deus, cuja revelação temos experimentado.

2. O que o texto quer
Paulo era um homem culto, tinha muita sabedoria humana, e Deus até usou isso para que ele fizesse a maior obra missionária de todos os tempos. Mas Paulo quer nos dar um exemplo de como devemos nos relacionar com a sabedoria desse mundo, que na época e para os coríntios era tão importante. Paulo nos convida a considerar a sabedoria que vem de Deus acima de todo o saber desse mundo. Em outras palavras Paulo disse a mesma coisa aos Filipenses, quando disse que tudo considerava como refugo ou esterco para ganhar a Cristo.

3. O que você vai fazer?
Será que você estã comendo fugu? Está aceitando que lhe deem peixe envenenado? Está brincando com a sensação de morte que vem de consumir o prato da sabedoria deste mundo?

  • 3.1. Vigie sua vaidade, sua necessidade de parecer bem aos olhos dos outros.
  • 3.2. Vigie sua racionalidade, sua necessidade de entender naturalmente todas as coisas.
  • 3.3. Vigie sua emoção, sua necessidade de sentir e experimentar “tudo”
  • Por fim, aceite o presente e procure entender a grandiosidade daquilo com que Paulo conclui maravilhosamente esta mensagem: “Nós, porém, temos a mente de Cristo.” Confie nisso. Valorize isso.



    Fonte: http://www.evangelizabrasil.com

    sexta-feira, 5 de junho de 2009

    Evangelização em Condomínios

    *


    Sugestões para a realização de ações evangelísticas dentro de condomínios


    Uma das grandes dificuldades para a evangelização nos grandes centros urbanos é a existência de muitos condomínios. Prédios altos com inúmeros apartamentos ou até mesmo aqueles formados por casas ou sobrados, como é o caso da cidade de Curitiba, capital paranaense. Os condomínios são áreas praticamente fechadas para a evangelização. É proibida a entrada de qualquer pessoa que não more nesse local, com exceção de convidados expressamente autorizados pelo morador. Esta é uma realidade para muitas igrejas que desejam realizar uma estratégia evangelística em seu bairro ou cidade. Neste caso, a evangelização de casa em casa não funciona, a evangelização em massa também não. Qualquer outra ação evangelística encontrará suas dificuldades no acesso aos moradores de condomínios.

    Diante desta realidade, o que fazer? Deixar de evangelizar simplesmente porque não há acesso ao público que se deseja alcançar? De forma alguma! Deus sempre abre as portas que estão fechadas para e evangelização. A seguir estão algumas sugestões de como a igreja pode vencer estes obstáculos e realizar ações evangelísticas em condomínios.

    *

    A primeira coisa que o/a evangelista deve fazer é realizar uma pesquisa em sua igreja, para ver se há algum membro que more num dos condomínios existentes no bairro de sua igreja, ou na área onde se pretende alcançar. Havendo alguém da igreja que more nestes condomínios facilitará muito o acesso.
    *

    Depois de identificar os moradores de condomínios em sua igreja, inicia-se a fase de contatos entre o evangelista, o morador e o síndico do condomínio. É necessário ter um bom projeto para ser apresentado ao síndico. Este projeto deve trazer algum benefício para o público, pensando nisto, pode-se fazer algo como “promoção da família”, “Dia da Família”, etc. Na maioria dos condomínios não é permitida a realização de eventos religiosos de qualquer espécie, então é melhor tomar cuidado para não fechar esta porta. Não promova sua igreja neste projeto, promova a família, o bem-estar de seu público através da Palavra de Deus.
    *

    Quando tudo estiver acordado, o dia e horário agendados, começa a divulgação. O convite para esta programação deve seguir alguns critérios: a) Comunique de modo que as pessoas entendam; b) Use uma uma linguagem simples, utilizando palavras compreensíveis; c) Use também na apresentação de vantagens a idéia de “o que você ganha ao aceitar o convite”. Tenha certeza de que sua mensagem é irresistível. Utilize folhetos (para serem distribuídos em todos os apartamentos), folders e cartazes para colocar na portaria ou no salão social de cada prédio.
    *

    A programação poderá ser realizada no salão de festas do condomínio ou numa área de lazer. Neste caso, o tamanho da área/local deverá ser de acordo com o número de pessoas/crianças que participarão. Isto deve ser acertado no momento da conversa com o síndico.

    Algumas das programações que podem ser realizadas em condomínios:

    1. Projeto Áquila

    O Projeto Áquila é uma boa estratégia para a evangelização em condomínios, e pode ser trabalhado sob o tema da família: “Celebração da Família”, “O Dia da Família”, etc. Onde podem ser montadas cinco tendas (se não tiver tendas, pode dividir em cinco grupos), com um número de 15 a 20 crianças e duração de 15 minutos em cada tenda ou grupo. (Para obter o Projeto Áquila completo você pode adquirir a Revista Evangelizar número 14 “Onde Mora a Paz?”, pág. 14 e 15).

    2. Filme Socorro

    Pode-se fazer uma programação para passar o filme Socorro. Para isto você pode entrar em contato com a AMME Evangelizar para saber se há algum equipamento (projetor, aparelho de DVD e telão) disponível e próximo de você. Para esta programação você precisará solicitar o Filme Socorro para um dos missionários da AMME Evangelizar. Também solicitar o Livro da Esperança para ser distribuído para as crianças que estiverem presentes.

    Você pode montar o telão numa área livre (se o tempo estiver bom) e preparar uma programação de aproximadamnente três horas, começando em torno das 15h com brincadeiras populares como pega-pega, pular corda, siga-o-chefe, etc. É interessante aproveitar estas oportunidades para um bom testemunho e interação com as crianças. Por volta das 17h30min. Pode-se projetar o Filme Socorro e fazer uma aplicação da mensagem do filme na vida das crianças e dos pais que estiverem presentes, e havendo oportunidade pode-se fazer um apelo. A previsão para o encerramento desta programação é às 18h30min.

    3. Kid’s Games

    Os Kid’s Games são programações esportivas que apresentam lições bíblicas para crianças entre 6 e 14 anos. Esta estratégia é muito eficiente, pois a linguagem do esporte alcança pessoas de qualquer confissão de fé ou classe social. Também consegue uma boa interação entre os participantes. No final pode ser servido lanche para a garotada. É necessário ter uma equipe preparada e monitores para evitar transtornos.

    Para adquirir os materiais dos Kid’s Games acesse o link: http://www.evangelizabrasil.com/2009/02/09/material-de-download-pacificadores-2009/#more-3794

    Se você tiver outras sugestões para alcançar os moradores de condomínios ou queira comentar este artigo, escreva no campo abaixo.

    Missionário Élcio Sales

    0800 121 911 / (11)4428 3220 ou e-mail/msn: elciosales@evangelizabrasil.com

    Fonte: http://www.evangelizabrasil.com/

    quarta-feira, 18 de março de 2009

    Cristianismo sem Cruz

    Trago à tona este assunto, em função da seriedade e pertinência da matéria, pois vejo como lamentável a indiferença que tem caracterizado o povo de Deus nos dias atuais ante os grandes desafios morais e espirituais que nos cercam, principalmente se considerarmos o caminho de dor e sofrimento pelo qual Jesus percorreu.

    Em parte, esta situação vem se firmando por culpa dos pregadores atuais que levam os membros das igrejas a praticarem um tipo de cristianismo sem sofrimento, sem doença, sem dificuldade financeira, sem rejeição, sem descontentamento, enfim, sem cruz. As pessoas estão aceitando a Cristo como salvador imaginando que a decisão tomada se equivale ao ato de tomar uma vacina que imuniza e livra o cristão de todos os males e problemas desta vida, colocando-o de fora dos dilemas humanos, o que não é verdade.

    Que Deus é todo poderoso ninguém duvida, que quer abençoar os seus filhos é crença corrente, mas não podemos alimentar o ensino equivocado da prosperidade e da bênção incondicional sem fundamentação bíblica, como alguns vêm propagando, que Deus vai dar tudo a todos como se estivesse a serviço do cristão. Pensar e agir como se as coisas fossem tão fáceis e simples assim é aceitar e propagar uma espécie de anticristianismo. Afinal, as dores que sofremos também devem ser consideradas como bênçãos de Deus, porque sem elas não teríamos como diagnosticar as doenças e valorizar a saúde.

    O homem moderno está mesmo é em busca de facilidades, comodidades e prazer a todo custo. É por isto que a ciência e a tecnologia vêm fazendo esforços para responder a contento os anseios de satisfação e o grau de exigência das pessoas. Como conseqüência dessa busca insaciável, o ser humano tem se tornado doente. Nunca os consultórios de analistas e psiquiatras foram tão freqüentados como nos dias de hoje e as pessoas jamais consumiram tanto medicamento para resolver os problemas de insônia e depressão, causados pela infelicidade, angústia e tristeza de corações vazios. Esta situação visível em grande parte tem sido gerada por uma expectativa falsa, pois o ser humano não foi criado para o prazer, mas sim para desafios e realizações.

    Lamentavelmente, muitas seitas e inúmeras igrejas evangélicas têm caído na tentação de apresentar um cardápio de facilidades e promessas sem apoio bíblico, como se o cristianismo fosse um balcão negócios onde se vende sonhos e ilusões, para manter acesa a falsa esperança de muitos pobres e miseráveis que são levados a acreditar que o verdadeiro cristão não passa por tribulações. Que tragédia! Pois ninguém tem o direito de alimentar falsas esperanças, muito menos aqueles que atuam como mensageiros do Deus Altíssimo. Tal situação é agravada pela adesão de muitos irmãos de igrejas históricas, que são consideradas sérias no compromisso com o evangelho, influenciados por estas idéias, em virtude do bombardeio que recebem através dos programas televisivos, rádio e, principalmente, pela música gospel, que enfatiza o ter em lugar do ser.

    Com a predominância deste sentimento nada saudável que vem sendo disseminado e facilmente assimilado, os novos crentes estão se tornando cada vez mais indiferentes aos grandes desafios da fé cristã. Freqüentam os cultos quando podem, contribuem quando sobra, oram quando têm problemas, lêem a Bíblia quando vão à igreja e, com algumas poucas e boas exceções, difamam, fazem intriga, se opõem aos pastores e cometem os mesmos erros de pessoas que ainda não tiveram um encontro pessoal com Cristo. Este é um estilo de cristianismo sem cruz e, por conseguinte, sem Cristo.

    Foi por esta razão que Jesus condenou com veemência o comportamento dos religiosos de sua época, porque não tinham compromisso autêntico com a essência da fé apostólica. Para Jesus, cristianismo não é filosofia adotada, mas estilo de vida comprometido com os valores eternos, que se traduzem em justiça social, amor ao próximo, respeito mútuo e submissão à vontade de Deus. Mas é só pela cruz que somos capazes de trilhar o caminho do sacrifício, da submissão, do amor, da compaixão que nos reconcilia com Deus e nos aproxima uns dos outros.

    Se quisermos alcançar o alvo estabelecido no coração de Jesus de transformar os conceitos injustos arraigados nos corações dos homens em todo o mundo, necessitamos seguir os seus ensinamentos: "assim como o Pai me enviou eu vos envio a vós" (Jo 20.21b). Jesus é o nosso modelo e exemplo. Espelhemo-nos nele para que sejamos discípulos de verdade, que vivem à sobra da cruz.

    Autor: Aloízio Penido - Pastor da PIB em Juiz de Fora (MG) / Grupo Está na Bíblia

    Fonte: JesusSite.com

    via http://www.pilb.t5.com.br

    sábado, 25 de outubro de 2008

    A IGREJA EVANGÉLICA HOJE - Russel Shedd

    *
    Por que ser membro dela?


    Russel Shedd

    É maravilhoso ser membro da Igreja de Jesus Cristo! Ele prometeu, durante seu ministério na terra, que edificaria sua Igreja. A Igreja teve seu início miraculoso com a descida poderosa do Espírito Santo e continua crescendo com sua atuação regeneradora. Ninguém faz parte da Igreja de Jesus Cristo sem nascer do Espírito. Ela é um povo exclusivo de Deus, foi escolhida livremente pela sua graça antes da fundação do mundo e existe inteiramente para sua glória e prazer.

    A palavra “invisível” descreve a Igreja universal. Parece infeliz porque sugere uma idéia platônica, isto é, que a Igreja pode existir sem uma expressão visível. Os Reformadores desenvolveram esta descrição para manter o princípio, contra Roma, de que a Igreja está fundamentada na graça livre de Deus. Foi assim que os apóstolos enxergaram o povo redimido – do império das trevas – e transportado para o Reino do seu Filho amado. Somente Deus sabe quem realmente lhe pertence; portanto, invisível para nós.

    Para se tornar parte da Igreja, a Bíblia exige confissão pública, normalmente no batismo, e uma fé genuína na ressurreição histórica de Jesus dentre os mortos. Não há garantia de que os que confessaram o nome do Senhor e “creram nEle” foram realmente regenerados. A confirmação da fé salvadora de um membro da Igreja de Jesus Cristo vem através do amor de Deus derramado nos corações dos salvos e a perseverança no caminho. Declara o autor de Hebreus: “Pois passamos a ser participantes de Cristo, desde que, de fato, nos apeguemos até o fim à confiança que tivemos no princípio” (3.14 – NVI).

    A Igreja é um templo, disse Paulo, querendo dizer com isso que Deus habita no meio de sua família na terra, tal como habitava no Santo dos Santos no templo de Salomão. Para Pedro, a Igreja é representada por uma casa espiritual edificada com pedras vivas porque chegaram à Pedra Viva (Jesus). A Igreja é um campo com plantas (pessoas) que têm qualidades que o Espírito desenvolve para demonstrar seu amor: “alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio” (Gl 5.22,23).

    A Igreja ganhou o título de família de Deus pelo fato de que Ele adotou os membros como filhos. A fraternidade dos “irmãos” da Igreja deve ser uma expressão do relacionamento familiar que une os que gozam do direito de fazer parte dessa nova “raça eleita”. Ela também é um “novo homem” com ambições distintas dos homens da raça de Adão e Eva.

    Tristemente, não podemos concordar com todas as posturas de todos os líderes humanos que pastoreiam mais de um milhão e meio de igrejas locais no mundo inteiro. Alguns deles ensinam doutrinas antibíblicas e promovem práticas opostas às que Deus propõe para sua Igreja. A infidelidade dos membros não nega a finalidade de Deus em resgatar pecadores das garras satânicas, dando-lhes vida pela graça recebida por fé. Deus “nos escolheu nele antes da fundação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença” (Ef 1.4).

    Ortodoxia doutrinária que produz igrejas que apresentam a imagem de Cristo não pode ser definida com absoluta precisão. No entanto, o alvo que Paulo declarou para os colossenses deve ser a ambição principal de todos os que amam ao Senhor Jesus de verdade. “Nós o proclamamos, advertindo e ensinando a cada um com toda a sabedoria, para que apresentemos todo homem perfeito em Cristo” (1.28). Foi o mesmo interesse que Jesus teve logo antes de sua ascensão: “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo que eu lhes ordenei” (Mt 28.19,20).

    CONCLUSÃO

    As aberrações doutrinárias e desvios nas práticas comprovam a vulnerabilidade da igreja no mundo pós-moderno. Jesus estava consciente do perigo que a igreja correria quando levantou a questão da fé existir ou não na terra quando Ele voltar. Como a igreja de Laodicéia, que não reconhecia sua condição miserável, digna de compaixão, pobre, cega e nua, as igrejas contemporâneas são suscetíveis às tentações mundanas e a viverem longe dos alvos do seu Senhor. Que Deus graciosamente mostre misericórdia para com sua Igreja, enviando líderes e membros comprometidos com as ordens que Ele passou para ela através de seus apóstolos e profetas há dois mil anos.

    Fonte: Revista Enfoque - Edição 65 - DEZ / 2006
    *

    sábado, 27 de setembro de 2008

    Cosmovisão - como está a sua?

    *
    “Finalmente, fortaleçam-se no Senhor e no seu forte poder. 11 Vistam toda a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do Diabo, 12 pois a nossa luta não é contra seres humanos, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais. 13 Por isso, vistam toda a armadura de Deus, para que possam resistir no dia mau e permanecer inabaláveis, depois de terem feito tudo.” Efésios 6:10-13.

    Cosmovisão é a maneira como vemos o mundo. Na luta, a principal estratégia é sempre iludir o inimigo, de modo que ele não perceba os sinais de um ataque e assim possa se preparar. O Diabo luta deste modo, com ciladas, ele se beneficia quando não enxergamos a realidade, mas deixamos nos enganar pelas camuflagens que ele utiliza. No texto acima, Paulo procura fornecer elementos para nossa fé, de modo que, crendo perfeitamente, possamos evitar as ilusões que impedem nosso triunfo espiritual. Vejamos que elementos são esses:

    Ter - Eu tenho uma luta

    “…para poderem ficar firmes contra as ciladas do Diabo” Efésios 10:11

    Ter coisas pode ser uma grande ilusão. A Bíblia fala disso, e até o mundo sabe. Você encontrará muitos textos afirmando, por exemplo, que ser é mais importante que ter. Mesmo assim, as pessoas continuam pensando que se tivessem um carro, uma casa, um milhão de euros… a vida seria melhor. Certamente as pessoas que pensam assim terão muita dificuldade em crer que o melhor que elas têm é uma luta contra o Diabo.

    Obviamente, em nossos dias, não pensamos mais como os soldados na época de Paulo. Para nós, uma luta é algo perigoso e indesejável, para eles era como um esporte radical, a chance de “crescer na vida”. Os vencedores tomavam as riquezas dos vencidos e se tornavam ricos e influentes. Certamente a luta era uma oportunidade para eles, e é uma oportunidade para nós. Ao enfrentar o Diabo, temos a chance de saquear o inferno e tirar de lá os bens mais preciosos que são as vidas de homens e mulheres, crianças e jovens, prisioneiros do pecado. Esta sim é uma riqueza eterna!

    Precisamos abrir os olhos e perceber a grande oportunidade que temos nas mãos: de lutar contra o Diabo e tomarmos dele uma riqueza eterna, que a ferrugem e a traça não destroem e o ladrão não pode roubar. Infelizmente, muitos crentes fogem dessa luta, se esquecem dela e vivem como se estivessem em um parque de diversões – com isso, o inimigo os ataca e vence facilmente. Para nos santificarmose viver em disciplina espiritual precisamos ver que estamos em um campo de batalha, 24 horas por dia, 7 dias por semana, cada ano de nossas vidas, até sermos chamados para o descanso.

    Ser – Eu sou um soldado

    “Finalmente, fortaleçam-se no Senhor e no seu forte poder” Efésios 10:10

    Muitos crentes têm uma visão pobre de si mesmos, eles acham que são vítimas, acham que são muito novos e inexperientes, acham que o inimigo será bondoso com eles e não os atacará com tanta severidade. Esses crentes não conhecem o Senhor que os alistou, não conhecem o inimigo que os ataca e não conhecem a si mesmos. Nós somos soldados – o Senhor não nos alistou para sermos reféns, nem vítimas, nem peso morto para os outros soldados!

    Quando nos vemos como soldados, procuramos nos fortalecer, e o Senhor é uma fonte inesgotável de poder para nós. O Espírito Santo está disponível para nos encher de poder do alto, de modo que não andemos no campo de batalha desta vida como crianças indefesas, mas como soldados temíveis do Senhor, aterrorizando as forças do inimigo e marchando resolutos na vitória garantida em Cristo.

    É assim que devemos ver a nós mesmos: como soldados. Se mantivermos esta visão de nosso ser, se nos percebermos como soldados, nossas atitudes serão coerentes com a realidade que nos cerca. Mas se perdermos esta visão, não nos prepararemos, não estaremos prontos e seremos vencidos ao menor ataque.

    Fazer – Eu posso vencer

    “…para que possam resistir no dia mau e permanecer inabaláveis” Efésios 10:13

    Os dias em que vivemos enchem nossa agenda de coisas para fazer. Esperamos obter solução para tudo trabalhando mais, pedindo um empréstimo, saindo de férias, consultando um médico ou fazendo mais um curso. Em que lugar de nossa agenda está o enfrentar e vencer o Diabo?

    Uma agenda cheia de coisas para fazer é mais uma ilusão do inimigo para que nós não o ataquemos, não o enfrentemos. Fazendo tantas coisas nos tornamos desapercebidos, tão ocupados que nem percebemos as enormes oportunidades que temos de verdadeiramente vencer. Por outro lado, o inimigo procura nos enganar, fazendo-nos pensar que não pode ser vencido e nos desestimulando a tentar. Somente quando passamos a ver que temos condições de enfrentar o Diabo e colocá-lo em fuga, ficando firmes, é que nos dedicamos a fazer as coisas que realmente importam.

    Nosso inimigo fará tudo para que não tenhamos a visão correta do que devemos fazer. Enquanto ficarmos confusos, sem um objetivo definido, fazendo coisas que não podem nos dar a vitória, ele continuará nos atacando e atacando as pessoas à nossa volta. Precisamos abrir os olhos para enxergar que vencer a luta espiritual é o melhor que podemos fazer com nossas forças, nosso tempo e nossos recursos.

    Estar – Eu estou no exército

    “…pois a nossa luta não é contra seres humanos” Efésios 6:12

    Dividir para vencer. Este era um princípio político e militar muito comum no pensamento do exército romano. O Diabo evita se dividir, mas sabe usar esse princípio contra nós. Quando o crente se sente sozinho, quando começa a pensar nos irmãos como pessoas distantes ou até como inimigos, o Diabo pode vencê-lo facilmente.

    Tudo sobre as vitórias do exército romano estava ligado ao modo muito unido e coerente como seus soldados lutavam. Mas os midianitas, quando ouviram o som das trombetas de Gideão, atacaram uns aos outros. Assim há muitos crentes, eles estão atacando seus companheiros ou atacando as pessoas a quem o Diabo escravizou, e a quem deveriam libertar. E o Diabo, à margem dessa confusão, se ri da cegueira desses soldados e os vence facilmente. Aqueles midianitas acordaram no meio da escuridão sem saber onde estavam, qual era a situação ao seu redor e, por isso, agiram de maneira errada e foram vencidos.

    Para vencer a nossa luta, precisamos enxergar além da escuridão desse mundo, perceber corretamente o ambiente e ver quem é nosso verdadeiro inimigo, mas principalmente ver que estamos no exército de Cristo, e os outros soldados que o Senhor colocou ao nosso lado fazem parte da nossa estratégia vitoriosa.

    Crer corretamente acerca dessas coisas faz toda a diferença. Estes quatro elementos fundamentais estão no texto antes das armas, porque só nos armamos adequadamente no Espírito quando sabemos verdadeiramente o que temos, quem somos, o que fazemos e onde estamos. Só assim poderemos vencer esta luta e saquear o inferno tirando de lá as vidas preciosas que estão sob domínio do inimigo.

    Estamos juntos nessa luta!!

    1 Remanescente

    Os “quatro elementos” fazem parte do Módulo das Escolas: Avançada de evangelização e Superior de Missões da AMME Evangelizar.
    Conheça essas Escolas da AMME:

    Avançada de Evangelização: http://www.evangelizabrasil.com/como-trabalhamos/oficinas-da-evangelizacao

    Superior de missões:

    http://www.evangelizabrasil.com/como-trabalhamos/escola-superior-de-missoes

    sexta-feira, 5 de setembro de 2008

    INTEGRIDADE PASTORAL


    Por: Pr. Nelson Bomilcar

    Pastorearei o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho” (1 Pedro 5.2)

    10 “O ladrão vem somente para roubar; matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância. 11 Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas 12 O mercenário, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, vê vir o lobo, abandona as ovelhas e foge; então, o lobo as arrebata e dispersa. 13 O mercenário foge , porque é mercenário e não tem cuidado das ovelhas. 14 Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim, 15 assim como o Pai me conhece a mim, e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas.”

    1. Introdução

    Com temor e tremor, compartilho sobre integridade pastoral. Tema difícil para qualquer pregador ou pastor, pois é necessário um auto-exame para ver onde de fato estamos nesta caminhada e busca de integridade em nossa vocação pastoral. Sei quem sou, de onde vim, conheço meus pecados e quanto necessito da graça do Senhor para continuar no pastorado.

    Penso até que tantos pastores, já de cabelos brancos e em final de caminhada e ministério, que foram e são mentores e referencias para mim hoje de integridade pastoral, poderiam falar com mais propriedade. Muitos deles, heróis anônimos que com fidelidade e perseverança cuidaram do rebanho do Senhor em circunstância adversas, em meio à contínuas provas e desertos, longe dos holofotes e palcos, de maneira humilde e despretensiosa. Até porque integridade não é uma qualidade que nasce intrínsicamente conosco. Antes, é um movimento e construção em nossa personalidade e caráter de fora para dentro; é um valor ou virtude que vai sendo desenvolvida em nós pacientemente por Deus nosso Pai, através da ação contínua de Seu Espírito, à medida que aprofundamos nosso relacionamento com Ele.

    Temos que reconhecer que muitas mudanças ocorreram quanto ao entendimento da vocação e trabalho pastoral. Uma nova cultura da vocação e atuação pastoral ganha terreno na igreja em nosso século; muitos estão confusos quanto ao papel do pastor na vida da igreja. As instituições de ensino teológico, principalmente na América, desde o século passado, tem abraçado, modelos secularizados de gestão e se tornaram reducionistas quanto à atuação pastoral. O cerne e foco essencial está no Fazer do pastorado e não no Ser.

    Como nos chama a atenção do Pr. Ricardo Barbosa, “estas mudanças são de natureza semântica e que trouxeram desdobramentos na atuação pastoral e na vida da igreja”. Líder e terapeuta, palavras incorporadas na descrição da vocação pastoral nos dias de hoje, não aparecem durante 20 séculos de vocação e modelo pastoral. Palavras estas que não são necessariamente incorretas, mas que trazem uma nova compreensão e descrição do trabalho pastoral, modelada em imagens do executivo ou administrador, isto é, de um profissional dentro de estruturas eclesiásticas.

    O Dr. J. Packer, escritor e teólogo renomado, em uma de suas palestras/aula no Regent College onde estudei, disse que esta nova imagem de liderança, vem ao longo dos anos, corrompendo a vocação genuína do pastor e também a imagem correta do Deus Pastor, tão bem descrito no Salmo 23.

    Precisamos recuperar a visão correta da vocação pastoral e de próprio Deus a quem servimos, pois Ele nos vocaciona, capacita e envia como referências, como guias espirituais para um rebanho sedento de pastores-pastores, que, com amor e compaixão, consagram seu tempo em ouvir o clamor de almas cansadas, aflitas, ovelhas que estão em busca de orientação espiritual e transformação, pessoas a quem Jesus se entregou e deu sua vida.

    É oportuno refletirmos um pouco sobre a integridade do ministério pastoral, para instrução, para ensino, para termos referênciais corretas e expectativas maduras sobre o pastorado, já que distorcemos ou temos perdido através dos anos em nossa cultura, a natureza desta vocação e ministério.

    2. Desenvolvimento

    O que temos que buscar ou fazer para sermos íntegros e vivermos na integridade de nossa vocação?

    1. A integridade de nosso amor a Deus!

    Nosso relacionamento pessoal com Deus e na vivência da vocação pastoral é fundamentada em um COMPROMISSO DE AMOR. Dt. 6:5 “Amarás o Senhor teu Deus de todo o seu coração, de toda a tua alma e de toda sua força”. No contexto de Deuteronômio, para amar a Deus e cultivar este amor é necessário um abandono de falsos deuses em nossas vidas. Nossa família, nossa formação e conhecimento, nossa denominação, nossa igreja local, nosso ministério, tornam-se objeto de culto muitas vezes.

    Nosso amor a Deus é o combustível para honrarmos seu chamado e sermos íntegros no exercício de nossa vocação. Tomar cuidado para não transformarmos nossa vocação em carreira profissional é prudente e sábio. Cumprimos nossa vocação movidos pelo amor a Deus é essencial.

    Só assim a oração, a meditação na Palavra e a prática da direção espiritual não se tornam funcionais, apenas tarefas. Amor a Deus é demonstrado numa vida de obediência aos seus mandamentos. “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, este é o que me ama”. A pergunta do Senhor a cada um de nós continua? Pedro, tu me amas? Nelson, tu me amas? Fabrício, tu me amas? Deus ainda nos convida a sermos pastores, mesmo com a imperfeição do nosso amor! “Vá e apascente minhas ovelhas”.

    2. Integridade com a natureza e conteúdo de nossa vocação

    Temos que nos balizar no que a revelação bíblica fala sobre o pastorado.

    Primeiramente vemos que os apóstolos mostraram e ensinaram que todos os cristão deveriam cuidar uns dos outros com amor disposição e em constante oração (Gl 6.1-2; Hb 12.15-16; 1Jo 3.16-18; 5.16). Apesar desta instrução, designaram também para cada congregação guias espirituais, supervisores chamados de “presbíteros” ou “anciãos” (At 14.23; Tt 1.5), que deveriam cuidar do povo de Deus como os pastores cuidam das ovelhas (At 20.28-31; 1Pe 5.1-4), conduzindo-os mediante seu exemplo.

    Em virtude de seu papel no Corpo de Cristo, os presbíteros são também chamados “pastores” (Ef 4.11) e “bispos” (supervisores) (At 20.28; cf. 17; Tt 1.7; cf v.5; 1 Pe 5.1-2) e são chamados por outros termos que expressam liderança, apesar de não encontrarmos a palavra líder no Novo Testamento (1 Ts 5.12; Hb 13.7, 17, 24).

    As ovelhas da congregação, por seu lado, devem então reconhecer a autoridade dada por Deus a seus guias (referênciais) espirituais e seguir a orientação deles (Hb 13.17). Quem não reconhece a autoridade neles, esta recusando a autoridade de Cristo em suas vidas. A congregação deve também sustentar em oração (1 Tm 2.1-3) e também materialmente, pois “devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os presbíteros que presidem bem, com especialidade os que se afadigam na palavra e no ensino” (1 Tm 5.18)

    O modelo do pastorado aparece no Antigo Testamento, onde Deus é o Pastor de Israel (Sl 80.1). Vemos reis, sacerdotes, profetas e anciões chamados a agir como ministros de Deus, no papel de pastores subordinados (Nm 11.24-30). No Novo Testamento, Jesus é conhecido como o Bom Pastor (Jô 10.11-30) e Supremo Pastor (1 Pe 5.4), e os pastores são seus subordinados.

    O modelo de Jesus é conhecido como o Bom Pastor, é aquele que orienta, que serve com amor, compaixão e constância, que cuida, alimenta, protege, cura, discípula, treina, disciplina, caminha junto e não à distância; relaciona-se com seus discípulos e ovelhas, fazendo deles, não só servos, mas amigos de Deus (Jô 15.15).

    3. Integridade em nossa atuação pastoral

    O pastor Eugene Peterson, escritor e professor de teologia espiritual e pastoral, ensina que “os pastores são chamados prioritariamente para cuidar de almas, de pessoas; são chamados para levar pessoas à presença de Deus, a comungarem com Deus. Devem ser homens de oração e da Palavra”, isto é, que buscam diligentemente desenvolver estas disciplinas espirituais.

    O trabalho de orientação espiritual é fundamental, precisa ser resgatado na compreensão da igreja quanto ao pastorado e não ser desprezado por aqueles que tem a vocação pastoral. Junto com a oração e meditação na Palavra, é um aspecto relevante, mas desprezado em nossa cultura.

    O orientador espiritual não perde o foco e dá atenção aos detalhes específicos dos incidentes diários e às ocorrências cotidianas da vida contemporânea. O orientador espiritual resiste à pressão de moldar seu trabalho pastoral pelos padrões empresariais. A orientação espiritual é a tarefa de ajudar uma pessoa ou ovelha a levar a sério o que é deixado de lado pela mente no dia a dia, tomada por outros atrativos e pela constante presença de crises. É levar a sério com atenção e imaginação disciplinadas, o que os outros vêem casualmente ou sem nenhuma importância. “Ore por mim”, um pedido simples e aparentemente despretensioso que acontece no cotidiano, recebe a máxima atenção do orientador espiritual e é priorizado.

    O pastor leva a sério os momentos em que os sinais de transcendência e atuação de Deus se manifestam no meio de nossas rotinas de explosão do louvor, da angústia de culpa, dos ataques de dúvidas semanais, do tédio em orar, meditar e adorar. Não desvia a sua atenção para os clamores da cultura de realizar grandes feitos ou programas mobilizadores, que perdeu a noção do que é realmente importante e fundamental e que não se submete às nossas urgências e pressa.

    Manifestações de Deus no dia a dia, no comum da vida, são sinais centrais e não periféricos na atividade pastoral e temos que encarar estes atos como eternos e não efêmeros, essênciais e não acidentais.

    Orientar espiritualmente é ajudar as pessoas a buscarem a santidade pessoal a pensarem em Deus, nos seus valores, e moldar o coração e à vida na obediência de Sua Palavra.

    George Foster e Dr. Billy Graham concordaram que a administração e gestão de estruturas inicialmente criadas para ajudar a vida na igreja, é uma conseqüência da atividade pastoral, enriquecida e exercida por outros membros da igreja capacitados nesta área. Afinal, a igreja é, na linguagem do apóstolo Pedro, uma comunidade de pedras que vivem, de pessoas únicas amadas por Deus, com histórias únicas e não de peças descartáveis de uma máquina.

    Pastores como Jesus devem conduzir o rebanho de Deus com uma espiritualidade simples e profunda, construída na oração, meditação e estudo da Palavra. Pastores como Jesus buscam intimidade com o Pai, sendo exemplo em seu estilo de vida bem ordenado e caráter maduro (1Tm 3.1-7) e em relacionamentos sinceros e saudáveis.

    Esta essência no trabalho pastoral é na maioria das vezes, uma atividade silenciosa, longe dos holofotes, sem muito brilho, sem muito reconhecimento, que não atende o clamor do povo das grandes atividades mobilizadoras e realizadoras, mas é o coração do ministério pastoral. Não existe quase nenhum reconhecimento das ovelhas por isso, mas total reconhecimento de Deus e justa recompensa no futuro.

    Pastores como Jesus procuram ouvir e conhecer a Deus, e estão diligentemente chamando a atenção das ovelhas para ouvirem, discernirem e obedecerem à voz do Senhor em Sua Palavra, fazendo a Sua vontade. Pastores como Jesus não subestimam a Satanás, reconhecem as estratégias do lobo, do inimigo de nossas almas, que tenta atacar e se misturar ao rebanho para causar baixas, roubar, matar e destruir. Pastores como Jesus resistem ao lobo, defendem e protegem as ovelhas e expulsa-o das proximidades.

    Pastores como Jesus não aceitam o pecado que “tenazmente nos assedia”; rechaçam-no com firmeza e procuram ensinar as ovelhas a se lavarem no sangue de Cristo quando pecam, mostrando o caminho da confissão, do quebrantamento e da humildade. Pastores como Jesus reconhecem sua humildade e portanto, identificam-se com suas ovelhas em suas dores e limitações. Pastores como Jesus “se encarnam”, tornam-se iguais às ovelhas, isto é, reconhecem que são ovelhas também do rebanho do Supremo Pastor.

    Pastores verdadeiros confiam e reconhecem o poder e autoridade de Cristo e ajudam as ovelhas a aprender o caminho da dependência e submissão em obediência à esta autoridade. Pastores como Jesus buscam sempre agradar a Deus e não a homens, ensinam todo o conselho de Deus e não só a parte da mensagem.

    Pastores como Jesus reconhecem que o sofrimento faz parte da vida das ovelhas e é instrumento de Deus para crescimento, fortalecimento e aprendizado.

    O Dr. James Houston, teólogo, pensador cristão e pastor, tem ensinado que os verdadeiros pastores, servos com coração pastoral, não são os que estão necessariamente à frente, ou brilhando do alto dos púlpitos ou ministérios, mas são os que estão atrás e no meio do rebanho, com o cajado e vara, encorajando os que desanimam, levantando os caídos, protegendo as ovelhas, trazendo esperança aos que estão descrendo e ajudando-os a perseverar na vida cristã, curando as feridas da alma das ovelhas, acolhendo os pecadores cansados e oprimidos, corrigindo e alimentando os que se afastaram do rebanho.

    Que imagem fiel e bonita do pastor, mas quanta distância do que vemos hoje no meio evangélico. Uma geração de pastores e ovelhas que infelizmente abraçaram conceitos sobre liderança pastoral baseados em moldes empresariais secularizados, ovelhas que não desejam mais pastor-pastor, mas que “projetam suas frustrações pessoais em cima dos que estão à frente, criando expectativas erradas da atuação pastoral, sobrecarregando com exigências que jamais foram solicitadas por Deus” (Larry Crabb).

    Um outro aspecto interessante: alguns presbíteros, mas não todos, ensinam.(em 1 Tm 5.17; Tt 1.9; Hb 13.7, e Ef 4.11-16 lemos que Cristo deu à igreja “pastores e mestres” para equipar cada um para o serviço). Na visão apostólica de liderança congregacional, provavelmente existiram mestres que não eram presbíteros, bem como presbíteros que não ensinavam, e, também aqueles que tanto ensinavam como governavam.

    Pastores são ministros da graça de Deus. Não tem nada para oferecerem de si mesmos a não ser “suas próprias inutilidades e limitações” (Henry Nouwen). Paulo, o apóstolo, entende que é um “servo inútil” já em final de ministério. Ao reconhecer sua incapacidade e finitude, o pastor se torna instrumento do amor e graça de Jesus. O que os pastores tem a oferecer são suas próprias vidas dedicadas ao Senhor e às ovelhas, para que as elas conheçam, amem, obedeçam e andem na amizade e presença do Pai e glorifiquem a Deus aqui.

    Pastores como Jesus se alegram e se realizam ao ver a manifestação do Senhor na vida das ovelhas; sentem-se recompensados em serem usados por Deus, quando há restauração na vida do rebanho e em seus relacionamentos, conversão dos maus caminhos, transformações na mente, coração, caráter e temperamento; sentem-se recompensados quando percebem que as ovelhas estão levando a Palavra de Deus a sério, vivendo os valores do reino e servindo ao Pai na obra, tornando-se mais parecidos com Cristo.

    Pastores como Jesus sabem que não devem esperar reconhecimento humano; pelo contrário, devem ter consciência que é uma tarefa difícil, sujeita a profundas lutas espirituais, tentações, desertos, humilhações, traições, mas que a justiça recompensa virá das mãos Daquele que o chamou e vocacionou e que prometeu sua companhia e capacitação. “Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa de glória” 1 Pe 5.4

    Fonte: http://setiar.blogspot.com

    terça-feira, 17 de junho de 2008

    Servo do Senhor

    Burkhard Vetsch

    Isaías foi um servo amado e escolhido por Deus. Ele o era porque colocou-se incondicionalmente à disposição do Senhor com as palavras: "Eis-me aqui, envia-me a mim" (Is 6.8). Por isso, como um confidente do Senhor, legitimado por Deus, ele pôde anunciar a um mundo perdido, de maneira antes nunca vista, o Salvador e Redentor, o Messias e Emanuel. E ele o fez através do Espírito Santo, por força das suas grandiosas visões, chamando o Prometido de Servo do Senhor.

    Israel já tinha recebido uma promessa da vinda do Messias através de Moisés, quando este disse profeticamente: "O Senhor, teu Deus, te suscitará um profeta no meio de ti, de teus irmãos, semelhante a mim; a ele ouvirás" (Dt 18.15). Por trás dessa promessa estava a garantia do Eterno e Todo-Poderoso. E o profeta prometido não podia ser outro do que alguém dentre seus irmãos, portanto, um judeu. "A salvação vem dos judeus" (Jo 4.22), afirmou o próprio Senhor Jesus. Isaías já o havia anunciado antecipadamente de maneira muito clara: "O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz" (Is 9.2). Que promessa e que provisão misericordiosa para Israel, dizendo que justamente para esse povo nasceria uma grande luz em meio às trevas e o ajudaria a sair da sombra da morte! Com que ansiosa expectativa Israel deve ter confiado nessa promessa maravilhosa!

    De maneira progressiva, em etapas crescentes, a voz do profeta anunciou a vinda do Salvador e Redentor de Israel e do mundo:

    • 1ª etapa: "Do tronco de Jessé sairá um rebento, e das suas raízes, um renovo. Repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor" (Is 11.1-2). – "Porque foi subindo como renovo perante ele e como raiz de uma terra seca..." (Is 53.2).

    • 2ª etapa: "Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel" (Is 7.14).

    • 3ª etapa: "Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz; para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isto" (Is 9.6-7).

    • 4ª etapa: "Naquele dia, recorrerão as nações à raiz de Jessé que está posta por estandarte dos povos; a glória lhe será a morada" (Is 11.10).

    Rebento – Emanuel – filho – menino – governo – reino – morada – estas são as etapas estabelecidas por Yahweh para o "Rei dos reis e Senhor dos senhores" (1 Tm 6.15).

    Porém, da parte de Deus esse Filho elevado e sublime é chamado freqüentemente de Servo do Senhor. Leiamos apenas três textos messiânicos em Isaías:

    • "Eis aqui o meu Servo, a quem sustenho; o meu escolhido, em quem a minha alma se compraz; pus sobre ele o meu Espírito, e ele promulgará o direito para os gentios" (Is 42.1).

    • "Eis que o meu Servo procederá com prudência; será exaltado e elevado e será mui sublime" (Is 52.13).

    • "Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniqüidades deles levará sobre si. Por isso, eu lhe darei muitos como a sua parte, e com os poderosos repartirá ele o despojo, porquanto derramou a sua alma na morte; foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu" (Is 53.11-12).

    Servo do Senhor não seria uma designação humilhante para o Messias de Deus? Esse nome tem conteúdo profético: ele traça o caminho dAquele que teve que entregar Sua alma à morte como malfeitor. A sabedoria divina não conduziu primeiro para o alto, mas à incompreensível profundeza de grandes sofrimentos. Aqui Isaías viu o homem de dores desprezado que carregou as nossas enfermidades (os nossos pecados) e o nosso castigo, como um cordeiro mudo que é levado ao matadouro: "Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso. Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido" (Is 53.3-4).

    Não é de admirar que os sábios judeus tiveram problemas com essas representações simbólicas tão diferentes e aparentemente paradoxais do Messias: por um lado se fala do Messias vitorioso, a quem será entregue o domínio – por outro lado trata-se de um Messias desprezado, que se deixa matar como servo de Deus inocente, sofredor. Por isso, alguns sábios judeus concluíram que deveria haver dois Messias, chamando ao glorioso de "Mashiach ben David" (Messias filho de Davi), e ao outro, morto como inocente, de "Mashiach ben Yosef" (Messias filho de José). É evidente que Israel se sentia preferencialmente atraído ao glorioso "Mashiach ben David". Mas as duas representações do Messias se referem à mesma Pessoa! Ele é: "Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus" (Jo 19.19). Inconscientemente Pilatos teve que testificá-lo com a inscrição Iesus Nazarenus Rex Iudaeorum (I-N-R-I), que mandou afixar no alto da cruz (em hebraico, latim e grego – v. 20). Ele é o Cristo, o Salvador do mundo e Redentor de todos aqueles que desejam pertencer-Lhe. Até Seu sofrimento, Sua morte e ressurreição, Ele cumpriu cerca de 300 profecias. Um judeu pode identificar o verdadeiro Messias apenas lendo o livro de Isaías e com isso passar a ter um relacionamento pessoal com Ele. E, Deus seja louvado, muitos já O encontraram!

    O conceito messiânico Servo do Senhor estava enraizado na consciência do povo judeu. Mas quando Ele veio em humildade, como Servo, está escrito: "Veio para o que era seu, e os seus não o receberam" (Jo 1.11). Que trágico! Israel queria um rei judeu majestoso, um rei lutador que o libertasse do jugo romano, não um servo sofredor, que sequer se opôs quando O mataram. Dele está escrito: "Ofereci as costas aos que me feriam e as faces, aos que me arrancavam os cabelos; não escondi o rosto aos que me afrontavam e me cuspiam" (Is 50.6). Isso não poderia acontecer! Alguém que permitiu uma humilhação tão grande jamais poderia ser o seu Messias. A maioria dos judeus mantém essa opinião até hoje.

    Pelo Espírito Santo, reconheçamos de maneira nova e louvemos a Jesus como Servo de Deus, a Ele que nos livrou da culpa do pecado!

    Qual o elemento da salvação? O sangue, já desde a queda em pecado no Jardim do Éden, pois: "Com efeito, quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e, sem derramamento de sangue, não há remissão" (Hb 9.22).

    Para realizar uma remissão plena para todos os homens de todos os tempos, Deus precisava dAquele que sacrificou-se com Seu próprio sangue. Este foi o caminho de obediência do Servo de Deus, Jesus Cristo. Ele o fez por amor a você e a mim! No dia de Pentecoste o apóstolo Pedro anunciou aos seus compatriotas judeus: "O Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus de nossos pais, glorificou a seu Servo Jesus, a quem vós traístes e negastes perante Pilatos, quando este havia decidido soltá-lo" (At 3.13).

    Jesus viveu entre os homens como Servo e Escravo, e como Servo e Escravo Ele consumou a nossa salvação. Por isso Ele disse aos Seus discípulos: "Pois, no meio de vós, eu sou como quem serve" (Lc 22.27). E: "tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos" (Mt 20.28). Este foi o Seu ministério para conosco, pois como Servo de Deus entregou Sua vida no altar do sacrifício por você e por mim. Isso não pode nos deixar indiferentes e desinteressados!

    Jesus – Servo de Deus! E nós, que posição assumimos? A índole de servo de modo nenhum existe no homem natural. Muito pelo contrário, a rebelião, o desejo de dominar, o orgulho, estão latentes em nós. "Muitos empregados estão subordinados a mim", disse alguém com orgulho escancarado. Assim é a ambição carnal que tem como alvo a aparência, a posição, o prestígio, o poder, muitas vezes passando por cima dos outros, deixando pelo caminho vidas destruídas. No mundo em que vivemos, ser alguma coisa ou ter valor é muito mais atraente do que ser servo. Que erva daninha é o orgulho, principalmente o orgulho espiritual! O Senhor Jesus demonstrou Sua atitude de Servo e nos exortou a fazer o mesmo: "Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também" (Jo 13.14-15). Também o apóstolo Paulo tinha entregado sua vida a Deus como servo: "Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito, no Evangelho de seu Filho, é minha testemunha..." (Rm 1.9). Exercitemo-nos a cada dia, para assumir a posição de servo de Deus ou serva do Senhor! Nosso Mestre nos ajudará nessa jornada e nos abençoará!

    Nosso excelso e maravilhoso Senhor Jesus foi apresentado e anunciado por Isaías como Servo do Senhor porque a grandiosa salvação planejada por Deus somente podia ser confiada a um Servo absolutamente disponível, que provasse Sua submissão sendo obediente até a morte.

    Encontramos uma primeira representação simbólica antecipada do Servo do Senhor no cordeiro pascal sacrificado antes da libertação do povo hebreu do Egito. Todo pai de família teve que providenciar para sua família um cordeiro sem defeito, macho de um ano, cujo sangue tinha de aspergir nas ombreiras e na verga da porta da sua casa (Êx 12.7) para que fossem salvos da morte. O sangue foi e continua sendo a única substância de salvação.

    O que é um servo (um escravo)? Um servo está a serviço de um senhor e tem com ele um relacionamento de submissão e dependência – e espera-se que tenha também um relacionamento de confiança. Temos um exemplo humano em Elieser, servo de Abraão, que desfrutava da confiança de seu senhor a ponto deste usá-lo em tarefas muito especiais. A Elieser foi confiada a missão de procurar e trazer para casa a esposa destinada a seu filho Isaque; portanto, não uma esposa qualquer, mas aquela que havia sido escolhida por Deus (Gn 24). Elieser é um exemplo de servo fiel, que se identifica de maneira total com a ordem recebida. No aspecto espiritual, esse servo Elieser é um símbolo do Espírito Santo, pois ao buscar a esposa para Isaque ele deixou-se guiar e dirigir por Deus. Mas o mais perfeito de todos os servos teve que descer do céu e abandonar a glória do Pai para cumprir Sua missão com perfeição divina: "a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz" (Fp 2.8).

    No livro de Isaías encontramos várias descrições de "servos de Deus". Algumas contêm profecias messiânicas e outras se referem a Israel. "E me disse: Tu és o meu servo, és Israel, por quem hei de ser glorificado" (Is 49.3). Israel deveria estar bem próximo do Senhor ao realizar Seu serviço, para levar o conhecimento de Deus até os confins da terra, até às ilhas mais distantes: "...ao meu povo que formei para mim, para celebrar o meu louvor" (Is 43.21). Essa foi e continuou sendo a tarefa dada a Israel como servo do Senhor. Mas ele sempre fracassava e voltava a cair em desobediência. Deus lamenta a respeito: "Quem é cego como o meu servo, ou surdo, como o meu mensageiro, a quem envio? Quem é cego, como o meu amigo, e cego, como o servo do Senhor?" (Is 42.19). "...me deste trabalho com os teus pecados e me cansaste com as tuas iniqüidades" (Is 43.24). Depois de pecar, Israel era inevitavelmente castigado e disciplinado pelo Senhor. Por isso o Filho-Servo teve que assumir essa tarefa e Ele fez com a máxima perfeição o que Israel não foi capaz de realizar. Também o encargo de resgatar Israel na última fase dos tempos finais teve que ser entregue ao próprio Messias: "Mas agora diz o Senhor, que me formou desde o ventre para ser seu servo, para que torne a trazer Jacó e para reunir Israel a ele, porque eu sou glorificado perante o Senhor, e o meu Deus é a minha força" (Is 49.5). Aqui já temos um panorama e uma visão do ajuntamento de Israel no Milênio de paz!

    Será que Deus ainda mantém Seu plano com Israel? David Ben Gurion, o primeiro premiê do recém-fundado Estado de Israel, viajou para os Estados Unidos e quis encontrar Albert Einstein. Ele fez apenas uma pergunta a Einstein: "Do ponto de vista científico, existe ou não existe esse Deus de Israel?" Einstein respondeu-lhe: "Esse Deus, nosso Deus de Israel, existe. Ele vive e Ele reina".

    Isaías já sabia disso muito antes, e disse por ordem do Altíssimo: "Mas tu, ó Israel, servo meu, tu, Jacó, a quem elegi, descendente de Abraão, meu amigo, tu, a quem tomei das extremidades da terra, e chamei dos seus cantos mais remotos, e a quem disse: Tu és o meu servo, eu te escolhi e não te rejeitei, não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel" (Is 41.8-10). Será que conseguimos sentir todo o amor paternal, todo o zelo com que Ele mesmo está preocupado com a existência e com o futuro de Israel? É simplesmente comovente! Sabemos que Israel está protegido em todos os tempos sob o cuidado e a direção da Sua onipotência. Disso podemos estar certos também hoje, apesar de todas as turbulências por que passa essa nação! Ele o faz apesar da revolta dos palestinos, apesar do Holocausto, apesar de todos os mísseis apontados para Israel. Na sua solidão e no seu isolamento por parte de todas as nações, o povo de Israel – hoje infelizmente secularizado –, está continuamente protegido pelo Guarda de Israel. Nossas orações devem cercar e envolver a Israel como um muro de proteção!

    Israel é o povo do Seu serviço, e isso desde o começo! Deus disse: "Dirás a Faraó: Assim diz o Senhor: Israel é meu filho, meu primogênito. Digo-te, pois: deixa ir meu filho, para que me sirva; mas, se recusares deixá-lo ir, eis que eu matarei teu filho, teu primogênito" (Êx 4.22-23).

    Deus seja louvado: Ele nunca desistiu da escolha de Israel como servo do Senhor! "Tu és o meu servo, és Israel, por quem hei de ser glorificado." Deus tornou-se fiador legítimo de Seu povo pelo Seu nome e Seu Filho. Em Sua pessoa como Messias e em Sua obra Ele é representante de Seu povo. O Filho de Deus identifica-se com Seu povo, pois está escrito: "Veio para o que era seu." Israel é propriedade de Jesus e também propriedade de Deus. A Palavra de Deus é Alfa e ‘mega. O que ainda falta a Israel hoje é o Espírito Santo prometido. Sem o Espírito Santo, Israel não está em condições de cumprir sua tarefa nos tempos finais, nem de levar às nações a bênção perfeita e completa. Isso acontecerá depois dos juízos da Grande Tribulação, quando Cristo se dará a conhecer a Seu povo como o Messias. Isaías viu isso numa visão: "até que se derrame sobre nós o Espírito lá do alto; então, o deserto se tornará em pomar, e o pomar será tido por bosque" (Is 32.15). Aí sim Israel, como o povo missionário, trará a bênção completa ao mundo; então, no Milênio, reinará segurança e paz, justiça e descanso. As nações virão a Israel desejando conhecer a verdade, como as Escrituras afirmam por diversas vezes:

    • "Assim diz o Senhor dos Exércitos: Naquele dia, sucederá que pegarão dez homens, de todas as línguas das nações, pegarão, sim, na orla da veste de um judeu e lhe dirão: Iremos convosco, porque temos ouvido que Deus está convosco" (Zc 8.23).

    • "Eis que chamarás a uma nação que não conheces, e uma nação que nunca te conheceu correrá para junto de ti, por amor do Senhor, teu Deus, e do Santo de Israel, porque este te glorificou" (Is 55.5).

    • "Porque assim diz o Senhor: Eis que estenderei sobre ela a paz como um rio, e a glória das nações, como uma torrente que transborda; então, mamareis, nos braços vos trarão e sobre os joelhos vos acalentarão" (Is 66.12).

    Esse é o glorioso futuro de Israel, o servo do Senhor! Por isso também hoje Deus apela a Israel: "Lembra-te destas coisas, ó Jacó, ó Israel, porquanto és meu servo! Eu te formei, tu és meu servo, ó Israel; não me esquecerei de ti. Desfaço as tuas transgressões como a névoa e os teus pecados, como a nuvem; torna-te para mim, porque eu te remi" (Is 44.21-22).

    A aliança para a salvação de Israel foi uma aliança de sangue. "Então, tomou Moisés aquele sangue, e o aspergiu sobre o povo, e disse: Eis aqui o sangue da aliança que o Senhor fez convosco a respeito de todas estas palavras" (Êx 24.8). Essa aliança foi selada no Calvário, também em favor de Israel, com o sangue do Filho de Deus por toda a eternidade: "porque isto é o meu sangue, o sangue da (nova) aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados" (Mt 26.28). Por isto: "Regozijai-vos, ó céus, porque o Senhor fez isto; exultai, vós, ó profundezas da terra; retumbai com júbilo, vós, montes, vós, bosques e todas as suas árvores, porque o Senhor remiu a Jacó e se glorificou em Israel" (Is 44.23). Que gloriosa visão do Milênio de paz!

    Podemos nos dar por satisfeitos com esses pensamentos piedosos e comoventes? Pelo contrário, devemos estar plenamente convictos de que nós, como Igreja de Jesus, como ramos da oliveira brava, somos enxertados na videira verdadeira, Israel, que é chamado de servo do Senhor. Isso significa identidade com Israel! Por isso, oremos insistentemente por Israel, pedindo que o Senhor o guie e conduza de maneira misericordiosa através da "angústia de Jacó" que ainda está por vir! Nesse sentido também temos uma incumbência bem concreta da parte de Deus: "Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. Falai ao coração de Jerusalém, bradai-lhe que já é findo o tempo da sua milícia, que a sua iniqüidade está perdoada e que já recebeu em dobro das mãos do Senhor por todos os seus pecados" (Is 40.1-2).

    E no que diz respeito a nós mesmos, a pergunta é: Sou um servo ou uma serva que se empenha de todo o coração pelos interesses do reino de Deus? Será que ouviremos dEle as palavras: "Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor" (Mt 25.21)? (Burkhard Vetsch - http://www.aJesus.com.br)

    Publicado anteriormente na revista Notícias de Israel, janeiro de 2000.